Metodologia da projeção — 2º turno 2026
Projeção independente, feita só com os dados oficiais de apuração do TSE. Não usa pesquisa eleitoral, boca de urna nem qualquer dado fora dos arquivos públicos de totalização. Não é resultado oficial. O código do modelo é público (model/), roda sem dependências e pode ser reexecutado por qualquer pessoa a partir dos arquivos brutos guardados no histórico do site.
O que a projeção faz
Em cada instante da apuração, estima como terminará a votação quando 100% das seções estiverem totalizadas. O princípio é o mesmo do site do 1º turno: os votos que faltam em cada lugar tendem a se dividir como os votos que já foram contados naquele mesmo lugar.
- Divide a disputa em partes (estratos). Presidente: 27 estados + Distrito Federal + exterior (28 partes, um arquivo do TSE por parte). Governador: os municípios do estado (22 no Acre, 62 no Amazonas, 78 no Espírito Santo, 167 no Rio Grande do Norte, 139 no Tocantins). Distrito Federal: as 19 zonas eleitorais, porque não há municípios.
- Em cada parte, estima os votos válidos que faltam: eleitores ainda não totalizados × (votos válidos ÷ eleitores já totalizados na mesma parte). Isso assume que comparecimento, brancos e nulos nas seções pendentes serão parecidos com os já contados ali.
- Divide esses votos entre os dois candidatos na mesma proporção já observada na parte. Se uma parte ainda não tem nenhum voto totalizado, usa a proporção que os dois finalistas tiveram no 1º turno de 2026 naquela mesma parte, deslocada pelo movimento médio ("swing") já observado nas partes apuradas (comparação 2º turno × 1º turno, em escala logit, ponderada por votos).
- Soma tudo. Votos observados + votos estimados em todas as partes. O percentual projetado é sobre o total de válidos projetado. Como só há dois candidatos, A + B = 100%.
4b. Corrige a deriva das urnas tardias (só presidente). Mesmo dividindo por estado, as seções que chegam por último têm perfil diferente das primeiras, e o modelo erra de forma sistemática em função do % apurado: em 2022 (1º e 2º turnos) e no 1º turno de 2026, sempre no mesmo sentido (Lula subestimado no meio da apuração). A projeção publicada subtrai esse erro médio, medido no 2º turno de 2022 no mesmo nível de apuração (curva de 5 em 5 pontos, interpolada). Teste independente: a curva do 1º turno de 2022 aplicada ao 1º turno de 2026 reduziu o erro médio de 1,3 para 0,2 ponto entre 20% e 60% apurado. O valor sem a correção continua disponível (sem_correcao) e o tamanho da correção é exibido (correcao_pp). Governadores não têm essa correção (não há histórico comparável por estado).
- Faixa de erro. Em torno de cada percentual, mostra uma faixa calibrada por backtest (abaixo). A faixa da margem (diferença A − B) é o dobro da faixa de cada candidato.
- "Tendência" (vencedor projetado) só aparece quando a margem projetada é maior que a faixa da margem. Caso contrário o quadro mostra "indefinido", mesmo que um candidato esteja na frente.
- "Definido matematicamente" é um critério aritmético separado, sem modelo: a vantagem em votos já é maior que todo o eleitorado ainda não totalizado, então não pode ser revertida.
Por que estratificar: o padrão do que falta não é aleatório. Em 2022, o interior do Nordeste chegou por último e a parcial nacional subestimou Lula em até 2,7 pontos a 20% apurado; dividir por estado reduz esse erro para ~0,8 ponto. Dentro de cada estado o mesmo acontece entre capital e interior, por isso governadores usam municípios (e zonas no DF).
O que a projeção NÃO faz
- Não dá probabilidade de vitória. Dá um valor central e uma faixa de erro empírica.
- Não usa a curva de 2022 de um turno para corrigir o outro: a deriva do 1º turno tem o dobro da amplitude da do 2º. A correção usa só o mesmo tipo de turno (2º turno 2022 → 2º turno 2026), que foi o que passou no teste independente.
- Não projeta o presidente por município na configuração publicada. O modelo por município (que sabe "onde estão os votos que faltam") está implementado e calibrado, mas exige ~5.700 arquivos do TSE por leitura; liga automaticamente se a coleta municipal for ativada.
- Não usa pesquisas, boca de urna nem transferência de votos estimada entre candidatos eliminados.
- Não declara vencedor. "Tendência" é uma leitura estatística sujeita à faixa de erro; "definido matematicamente" é aritmética sobre a parcial oficial.
- Não projeta antes de a apuração atingir o mínimo (abaixo).
Faixa de erro
Calibrada no replay da apuração de 2022 (1º e 2º turnos), usando a ordem real de chegada dos boletins de urna ao TSE (docs/BACKTEST.md). A faixa depende de quanto do eleitorado já foi totalizado e do tipo de disputa. Meia-largura em pontos percentuais do candidato:
| Eleitorado apurado | Presidente (com correção da deriva) · erro médio esperado | Governador (por município) | DF (por zona) | Governador sem municípios (modo degradado) |
|---|---|---|---|---|
| 10-20% | ±0,75 · 0,38 | (não publica) | (não publica) | (não publica) |
| 20-30% | ±0,75 · 0,38 | ±1,7 | ±0,4 | ±8,6 |
| 30-50% | ±0,75 a ±0,70 · 0,38 a 0,35 | ±1,6 a ±1,4 | ±0,3 | ±7,0 a ±5,5 |
| 50-70% | ±0,60 a ±0,51 · 0,30 a 0,26 | ±1,2 a ±0,95 | ±0,3 a ±0,2 | ±4,7 a ±4,3 |
| 70-90% | ±0,43 a ±0,37 · 0,22 a 0,18 | ±0,65 a ±0,4 | ±0,2 | ±3,6 a ±2,5 |
| 90-98% | ±0,21 a ±0,09 · 0,11 a 0,05 | ±0,25 a ±0,15 | ±0,1 | ±1,4 a ±0,85 |
| acima de 98% | ±0,06 a ±0,05 · 0,05 | ±0,07 a ±0,05 | ±0,06 | ±0,4 a ±0,1 |
Como ler: no presidente, a faixa é o maior entre (a) o maior erro observado depois da correção (2022, 1º e 2º turnos, e o teste independente no 1º turno de 2026) mais o viés que a curva de uma eleição deixou ao ser aplicada à seguinte, e (b) 75% do tamanho da própria correção naquele nível de apuração. O item (b) veio da revisão estatística independente (docs/REVISAO-ESTATISTICA-V3.md): só existe um par de eleições para medir quanto a curva muda de uma eleição para a outra (1º turno 2022 → 1º turno 2026, em que a deriva de 2026 ficou entre 80% e 104% da de 2022), e nenhum par de 2º turno; a faixa publicada, portanto, tolera que a deriva do 2º turno de 2026 fique entre 25% e 175% da de 2022. Não há medida de cobertura fora da amostra para essa faixa: dimensionada só com 2022 ela cobriu 69% do teste de 2026; a versão publicada incorpora esse teste. Sem a correção, a faixa seria de ±2,3 a 10-20% e ±1,4 a 50-60% (essa faixa continua disponível como modo presidente_sem_correcao, acionável por configuração se a deriva de 2026 se mostrar diferente da de 2022 durante a noite). O "erro médio esperado" (erro_medio_esperado.projecao) é o maior entre o erro médio observado nos testes e metade da faixa; a interface o mostra como "errou em média, nos testes, ±X ponto", ao lado do erro médio da parcial bruta na mesma faixa (erro_medio_esperado.parcial, por exemplo 4,4 pontos a 10-20%). No governador, a faixa é o valor que cobriu 90% dos instantes em 38 corridas estaduais de 2022 (12 segundos turnos de governador reais + 26 simulações da disputa presidencial dentro de cada estado); nos 6 governadores do 1º turno de 2026 a cobertura ficou entre 81% (AM) e 100%, sem chamada errada. Essas faixas vêm de uma única eleição passada e não garantem cobertura em 2026; o primeiro teste real da faixa do presidente é a própria noite de 25/10, e a calibração fica congelada até o fim da apuração.
O que são "os testes": as eleições de 2022 (1º e 2º turnos) e o 1º turno de 2026, reproduzidos na ordem real de chegada dos boletins. A frase "a projeção errou em média ±X ponto nos testes" refere-se ao erro medido nesses replays, não a um erro já observado nesta apuração.
Rótulo de confiança exibido junto: baixa (< 25% do eleitorado apurado), média (25-70%), alta (> 70%).
Quando a projeção não é publicada
Todos os critérios abaixo precisam valer; se algum falhar, o site mostra só a parcial oficial e a lista do que faltou (criterios_nao_atendidos).
| Critério | Presidente | Governador |
|---|---|---|
| Arquivos do TSE válidos e consistentes (eleição e turno certos, somas batem, totalizado ≤ eleitorado) | todos | todos |
| Eleitorado em seções totalizadas | ≥ 10% | ≥ 20% |
| Partes com algum voto totalizado | ≥ 50% das 28 | ≥ 50% dos municípios/zonas |
| Eleitorado em partes sem arquivo válido | 0% | ≤ 2% |
| Eleitorado projetado sem base do 1º turno (taxa agregada) | ≤ 5% | ≤ 5% |
| Eleitorado com leitura preservada (TSE não respondeu, usamos a anterior) | 0% | ≤ 2% |
| Diferença de horário entre os arquivos ainda em apuração (partes com 100% das seções totalizadas ficam isentas: o dado delas é final) | ≤ 5 min entre o mais antigo e o mais novo | ≤ 5 min entre cada município/zona e o arquivo da UF |
| Idade do arquivo de referência | ≤ 5 min (arquivo mais antigo entre as UFs) | ≤ 5 min (arquivo da UF) |
Governador sem os arquivos municipais (se o TSE não os publicar): a projeção vira a própria parcial com a faixa larga da última coluna da tabela de erro ("modo degradado"), sinalizada como tal.
Fontes
- Apuração 2026:
https://resultados.tse.jus.br/oficial/ele2026/6258/dados/<uf>/<uf>-c0001-e006258-u.json(presidente, por UF),.../6260/dados/<uf>/<uf><município>-c0003-e006260-u.json(governador, por município),.../6260/dados/df/df97012-z<zona>-c0003-e006260-u.json(DF, por zona). - Base do 1º turno 2026 (participação dos finalistas por UF/município/zona): arquivos finais das eleições 6257 e 6259, pré-processados em
model/baselines/. - Calibração: boletins de urna de 2022 (
cdn.tse.jus.br/estatistica/sead/eleicoes/eleicoes2022/buweb/), verdocs/BACKTEST.md.
Como auditar
Cada snapshot publicado guarda o JSON bruto do TSE, a versão do modelo (modelo.versao, modelo.calibracao) e a saída completa (forecast, criterios, estratos). Reexecute model/index.mjs sobre o bruto para obter os mesmos números. Versão atual do modelo: 3.1.0; calibração bt2022h26-v31-2026-10-24, congelada para a apuração de 25/10/2026 — model/calibracao.mjs SHA-256 09472377c7a0d3cc5abd2c6058f35b6a03ab45e2419c618007c4c446209b2593 (qualquer alteração durante a apuração muda o hash e será visível).